A união faz a força

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O ano de 2017 já está batendo à porta e a virada de ano é também um momento de reconhecimento e reflexão. Durante o ano, milhões de cidadãos procuram fazer de São Paulo uma cidade ainda mais humana, porém nem todos têm suas histórias narradas. Para começar o ano inspirado e com boa energia, o Blog do Anália postará a cada semana as histórias de personagens inspiradoras, gente da gente que faz a diferença na região Leste da cidade. Conheça Eduardo Lacerda, o leitor irrecuperável que abriu sua própria editora;  Luanna Rizzo, a defensora dos animais e fundadora do Instituto Santo Pet; e Nanci Darcolete, a ambientalista e coordenadora da Casa do Catador de São Mateus. E que o próximo ano seja propício também para os seus sonhos e projetos!

Qual destino você dá ao seu material descartável? Separar o lixo entre o que é orgânico e o que é reciclável, além de contribuir com o meio ambiente, gera renda para muita gente. Os catadores de lixo que são vistos pelas ruas das grandes metrópoles são um bom exemplo de como a reciclagem é uma função importante para a economia e para o meio ambiente. E você sabia, aliás, que cada carrinho que os catadores carregam, pesa vazio, em média, 250 quilos? “Em média, um catador carrega entre 250 e 260 quilos de material no carrinho”, afirma Nanci Darcolete, de 40 anos. “Dependendo do dia, o peso do carrinho mais a carga podem chegar até a uma tonelada.”.
Darcolete trabalha com a coleta de material reciclável diretamente há 20 anos e, hoje, coordena a Casa do Catador Estrada Fazenda do Carmo, em São Mateus. Ela e seu marido, hoje seu ex-marido também catador, começaram na área de coleta de material reciclável por necessidade de ter um trabalho. A equipe que coordena, hoje, conta com 38 catadores e o volume de material reciclado coletado é tão grande que os carrinhos já não dão mais conta. Assim, eles contam com caminhões para auxiliar na coleta. “Quando montamos a Associação passamos a ter uma atuação mais forte no processo de catação”, narra. Todos os catadores da Associação, segundo ela, trabalham com materiais reciclados, sejam eles autônomos ou não. Quando trabalhava sozinha, Darcolete conta que percorria a região do Jardim Aricanduva fazendo a coleta. Entretanto, com a Associação, ela conseguiu ampliar a atuação na Zona Leste, realizando a coleta em áreas como Jardim Iguatemi e Guaianases.

Nanci explica a importância de separar o lixo: “É preciso pensar a questão sustentável também. Os catadores, hoje, só trabalham com o lixo seco: plástico, papel e vidro. Realizamos também panfletagem para conscientizar a população.” Além disso, ela reforça que São Paulo não possui mais áreas para enterrar o lixo, na verdade, há muitas regiões degradadas e contaminadas por décadas de mau uso do ambiente e do solo. “É importante preparar o material corretamente, praticar a Educação Ambiental.” Para o futuro, a Casa planeja montar composteiras para armazenar o lixo orgânico, que terá como destino um aterro.

Nanci comenta, ainda, sobre o impacto positivo da reciclagem tanto para o meio ambiente quanto para a qualidade de vida da população: “Para uma cidade do tamanho de São Paulo, o impacto pode ser muito maior. Somente 7% da população paulistana faz reciclagem e neste número os catadores tem papel fundamental”, declara.  “Falta incentivos e comunicação, além da conscientização das pessoas”, completa. Os mais de 20 anos dedicados ao trabalho de catadora de materiais recicláveis envolvem Darcolete até mesmo em seu ciclo íntimo. “Tenho duas filhas já adultas – eu costumava levar a mais nova para catar material comigo. Hoje, tenho dois netos e meu genro trabalha comigo na Cooperativa”, conta a então considerada catadora referência na Zona Leste pela Rede Cata Sampa. “Minhas filhas são muito conscientes sobre o trabalho do catador e a importância da coleta seletiva de lixo e a reciclagem. Elas sempre me apoiaram”, revela Darcolete.

Darcolete espera que o apoio às Cooperativas de catadores aumente – afinal, trata-se de mais gente trabalhando e uma cidade pensada de forma sustentável, e para alcançar este objetivo, Nanci pensa no projeto de uma rede de Cooperativas Empreendedoras. “Transformar a cooperativa em empreendimento sólido melhora também a  prestação de serviço. O catador como empreendedor traz renda e trabalho para muita gente”, ensina.

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Sobre o autor

Redação Anália

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