Senhora Pet

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O ano de 2017 já está batendo à porta e a virada de ano é também um momento de reconhecimento e reflexão. Durante o ano, milhões de cidadãos procuram fazer de São Paulo uma cidade ainda mais humana, porém nem todos têm suas histórias narradas. Para começar o ano inspirado e com boa energia, o Blog do Anália postará a cada semana as histórias de personagens inspiradoras, gente da gente que faz a diferença na região Leste da cidade. Conheça Eduardo Lacerda, o leitor irrecuperável que abriu sua própria editora;  Luanna Rizzo, a defensora dos animais e fundadora do Instituto Santo Pet; e Nanci Darcolete, a ambientalista e coordenadora de uma cooperativa de catadores de lixo. E que o próximo ano seja propício também para os seus sonhos e projetos!

Adotar um cão ou um gato é um gesto nobre, mas requer responsabilidade. Luanna Mastroianni Rizzo, de 41 anos, é formada em arquitetura e é coordenadora da ONG Instituto Santo Pet, associação de auxilio e resgate animal. Da Mooca, a neta de imigrantes italianos conta que o interesse pela proteção animal veio com o exemplo de dentro de casa. “Meus pais costumavam ajudar animais carentes. Meu pai me levava em abrigos já aos 13 anos e eu via problemas como o abandono e a venda de animais”, recorda.

Numa das visitas, ela e o pai foram a um abrigo em Parelheiros, na Zona Sul da cidade e constataram a real situação que viviam os animais. “Era feio e tinha muitos animais. Ingênua, falei para o meu pai que logo eles arrumariam um lar. Mas ele me explicou que a situação daqueles animais era mais complicada do que a minha vontade”, conta. Rizzo afirma que faltava ração e de quem cuidasse dos animais e da estrutura. “Foi um choque. Cresci com aquela imagem na cabeça e, depois de adulta, optei por contribuir para fazer a diferença sobre a situação, de algum modo.”

Após começar a trabalhar, Luanna passou a comprar ração e deixá-la em potes na rua. Em 2012, ela se deparou com “o pior cenário possível”, ao atender um abrigo em Itaquaquecetuba. “No local, havia 450 animais amontoados, muitos estavam doentes”, relata. Foi desta forma que ela reuniu amigos e juntos montaram uma página no Facebook para divulgar o abrigo e, assim, iniciaram um mutirão para ajudar. “Firmamos um acordo com a senhora dona do abrigo: ajudaríamos, mas ela não poderia pegar mais nenhum animal e nós os doaríamos.”.

Foi a partir deste cenário triste que a ONG começou. “Como contávamos com doações, fiquei preocupada e formalizamos o negócio, profissionalizando-o.”. Rizzo afirma que o Instituto Santo Pet já ajudou cerca de 500 animais e consome cerca de três toneladas de ração por mês – medicamentos e vacinas ela consegue por doação de veterinários. Hoje, orgulha-se ao afirmar que não há mais nenhum animal doente no Santo Pet.

Para quem quiser adotar um cão ou um gato, o processo vai além do querer: o candidato preenche formulário para a definição de seu perfil e passa por entrevista. Caso aprovado, ele pode ir à ONG conhecer os pets. “A rigidez é para o bem-estar do animal, que geralmente já passou por, ao menos, um processo de abandono. É preciso conciliar o perfil do animal com o do da família”, explica a coordenadora. Todos os cães e gatos do Instituto são vacinados, castrados e passam por hemograma, pois eles não podem ser doados doentes.

Para os interessados em adotar uma mascote, Rizzo afirma que conhecer o perfil do animal é mais importante do que o tamanho. “Adotar é um ato de amor. Um cachorro adulto costuma ser mais calmo do que um ainda na infância. Engana-se quem pensa que adotar mais de um pet dá problema. Cachorros juntos ficam amigos e costumam brincar entre eles. Um apartamento com 50 ou 60 m² é um castelo para um animal que vem de abrigo”, explana. Ela observa ainda que as pessoas são resistentes quanto à adoção de animais mais velhos e mesmo quanto à castração. “Como todos os seres, cachorros envelhecem e eles se tornam companheiros. Outra dificuldade é com a doação de cachorros com pelos pretos de médio porte, acima de 15 quilos”, comenta.  Rizzo é casada e, juntamente com seu marido, Mario, já adotou oito cachorros.

Luanna afirma que seu trabalho é como “enxugar gelo”, mas a grande motivação do Instituto Santo Pet são aqueles cães e gatos que já foram doados e hoje tem uma família. Mesmo com os obstáculos, ela vai à ONG todos os dias e transporta cerca de 500 quilos de ração em seu carro para levar aos abrigos a cada semana. E a palavra de ordem é comprometimento. “É uma opção de vida, não é um hobby. As pessoas ajudam porque elas veem o resultado. Comprometimento na proteção animal faz a diferença”, ensina Rizzo.

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Sobre o autor

Redação Anália

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