Patuá da Literatura

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O ano de 2017 já está batendo à porta e a virada de ano é também um momento de reconhecimento e reflexão. Durante o ano, milhões de cidadãos procuram fazer de São Paulo uma cidade ainda mais humana, porém nem todos têm suas histórias narradas. Para começar o ano inspirado e com boa energia, o Blog do Anália postará a cada semana as histórias de personagens inspiradoras, gente da gente que faz a diferença na região Leste da cidade. Conheça Eduardo Lacerda, o leitor irrecuperável que abriu sua própria editora;  Luanna Rizzo, a defensora dos animais e fundadora do Instituto Santo Pet; e Nanci Darcolete, a ambientalista e coordenadora de uma cooperativa de catadores de lixo. E que o próximo ano seja propício também para os seus sonhos e projetos!

Quem caminha pelo Sapopemba pode tropeçar em contos, romances, poemas e novos nomes da nossa Literatura. Ali, naquele bairro, fica a Editora Patuá, especializada em publicar e apostar em novos nomes literários brasileiros. A seleção fica por conta do olhar aguçado e curioso de Paulo Eduardo Lacerda Rodrigues ou, simplesmente, Eduardo Lacerda, de 34 anos. Ele é o fundador e editor da Patuá e também é o responsável em dar espaço aos novos escritores no mercado.

Apesar de ter nascido em Porto Alegre, capital gaúcha, Lacerda tem o coração paulistano. “Minha família é paulista e meus pais se mudaram para Porto Alegre em virtude do trabalho. Retornamos a São Paulo quando eu tinha dois anos”, conta ele que, mesmo pouco tempo de convívio com cultura gaúcha, não tem o hábito de tomar chimarrão. Desde 1984, a família reside na região do Sapopemba. O interesse do futuro editor pela Literatura começou ainda na escola. “Estudei em escolas públicas da Zona Leste, mais precisamente na Vila Ema e na Vila Alpina. Procurava sempre os textos de Literatura nos livros didáticos”, relata Lacerda.

Apaixonado por Carlos Drummond de Andrade e Hilda Hilst, Lacerda relata que escreveu seu primeiro poema aos 11 anos e que a casa de seus pais, que também é a sede da editora, conta com um acervo de mais de 30 mil livros. “Meus pais sempre tiveram livros, mas não eram leitores”, revela. Ele mesmo já lançou seu livro, Hoje é dia de folia, entretanto, hoje, confessa preferir ver a publicação das outras pessoas do que escrever. “Desde cedo, sempre gostei de vídeos, fanzines, jornais literários. Foi daí que passei a publicar livros”, revela ele.

A editora Patuá foi aberta, em 2011, e até hoje publicou mais de 450 títulos. Lacerda contou com parceria de Aline Rocha até 2013, ano que passou a tocar sozinho a empresa. Além da editora, ele também é dono do bar-café Patuscada. Os nomes dos empreendimentos, aliás, dizem muito da relação que tanto o bar-café quanto à editora mantêm. Enquanto patuá remete a um amuleto que contém orações, patuscada trata de uma reunião de pessoas para uma festividade. Não por acaso, os lançamentos da Patuá acontecem na Patuscada, já famoso pelos encontros literários. “Posso dizer que a Literatura é a minha religião e os livros são meus patuás”, compara Lacerda.

Em duas edições do Prêmio São Paulo de Literatura, autoras da Patuá receberam a honraria de lançar suas obras no bar: Paula Fábrio com Desnorteio, em 2013, e Micheliny Verunschk, com  Nossa Teresa – Vida e morte de uma santa suicida, em 2015, ambas na categoria autor estreante acima de 40 anos.

Para o futuro, Lacerda gostaria de ter um espaço cultural também na Zona Leste, mas afirma que a estrutura ainda é difícil. “É um plano, pois tenho o desejo de continuar formando novos leitores e trazê-los para a nossa região também”, comenta. “Publicar livros hoje é fácil, há outras editoras do tamanho da Patuá que também abrem portas, que funcionam como pequenas incubadoras. Vender é a parte mais difícil. O que nos move é a vontade de fazer o livro chegar ao público”, explica. “Vivemos em um país que lê pouco . Então, publicamos Literatura para todos os gostos e públicos”, finaliza o editor. A constatação de que vivemos num país em que o cidadão não tem o hábito da leitura é confirmado pela pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro divulgada este ano, onde afirma que o brasileiro lê, em média, 4,96 livros por ano.

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Sobre o autor

Redação Anália

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