O amor em tempos de apps

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Por Nina G*

Eis que um dia, há mais ou menos um ano, me deparei com o fato de estar solteira de novo. Foi uma escolha minha mas, ainda assim, me sentia vazia e ultrapassada. Minha última vez sozinha tinha sido no século passado, literalmente!

“Estou perdida, nem sei por onde começar!” – escrevi à minha única amiga que não é casada.

Keep calm e baixa esse app”

Obedeci.

Era o Happn.

Que coisa maluca! Então agora a gente escolhe e é escolhido em pequenas vitrines virtuais…

Ok, por que não?

Aproveitei e baixei um outro app gringo que expunha pequenas vitrines virtuais do mundo todo.

Comecei pelos gringos. Ficava mais à vontade de conversar com uma pessoa em outro continente do que com o meu vizinho de bairro. Assim, pensei, estou segura e vou treinando a abordagem.

Um mês depois, estava a ponto de arrumar as malas e ir encontrar um desses caras na Europa! Acho que não sou do tipo que fica treinando em segurança muito tempo…

De lá pra cá, acumulei várias histórias com estrangeiros, vizinhos de bairro e outros no meio do caminho…

Encontrei homens com quem passei uma noite e nunca mais farão parte da minha vida.

Encontrei homens que entraram despretensiosamente e foram ficando.

Apaixonei-me por alguns. Às vezes, mais de um, ao mesmo tempo.

Apaixonei-me por alguns que, por uma razão ou por outra, nunca encontrei pessoalmente.

Troquei fotos, vídeos, músicas, poemas, confidências, projetos de trabalho e questões existenciais com muitos deles.

Vários me tiraram a fome, o sono, a roupa.

Vários, ainda hoje, me fazem sentir as tais borboletas no estômago…

Em matéria de romance, acho que sou uma eterna adolescente.

Falar mal desses apps é como dizer que as crianças de hoje não sabem se divertir… É cair nesse erro de comparar o que não pode ser comparado. É dizer aquela frase saudosista, “Como era melhor antigamente!”, porque, na verdade, vamos envelhecendo e ficando indispostos a entender a maneira como as coisas acontecem no aqui e agora.

A chave é saber que nessa plataforma virtual se encontram pessoas de verdade, dos dois lados da linha. Pessoas densas e pessoas superficiais. Pessoas que vão se conectar conosco, ou não. Pessoas que têm expectativas que podem ser supridas por outra pessoa, ou não. Aliás, como sempre…

Se dá para achar seu príncipe encantado num app? Certamente alguém já conseguiu, mas eu não estou procurando o meu…

Essa adolescente que vive em mim ainda quer se divertir.

Descobri que afinal de contas não estou ultrapassada.

E ainda não inventaram, no mundo, sensação melhor do que as tais borboletas!

*Nina G é escritora e se dedica em se divertir, acumular novas experiências e escrever sobre este tema.

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Sobre o autor

Redação Anália

Moda, lazer, variedades e tudo sobre o Anália.

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