Como a noção de masculinidade está mudando?

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Por André Silva

Tanto na aparência quanto nos hábitos, a noção de masculinidade tem mudado bastante. Isto é sensível no cotidiano da rua, no zum-zum da redes sociais ou na moda.

Não é preciso radicalizar para perceber que alguns aspectos antes tidos como “masculinos” podem não moldar os homens, atualmente.

Se você tem entre 20 e 30 anos, provavelmente se sente no olho desse furacão. Para educadora Bianca Guizzo, da Universidade Luterana do Brasil, alguns conflitos desta geração sobre a masculinidade são frutos de pressões culturais atuadas por seus antepassados. A principal delas é a imagem do macho-alfa bem-sucedido, líder do bando, sexualmente potente.

Bianca Guizzo aponta a crescente igualdade de direitos entre homens e mulheres como responsável pela menor distinção no modo de agir tipicamente masculino ou feminino.

“A gente vê, por exemplo, as diferenças dos modos de ver a masculinidade na atualidade”, comenta a especialista. “Eu sou mãe e meu marido contribuiu efetivamente na criação do nosso filho. Ele faz coisas que o meu pai não fazia no final da década de 1970. Trocando fralda, preparando mamadeira, acordando de madrugada, dando banho.”

Os estudos de saúde mental têm demonstrado como os valores de gênero podem gerar sofrimento

Crise de Identidade

Esta indecisão de como proceder, ora cedendo à imagem do macho-alfa, ora resistindo contra ela, pode implicar em verdadeira dor psicológica.

“Os estudos de saúde mental têm demonstrado como os valores de gênero podem gerar sofrimento”, informa a psicóloga clínica Naiara Windmöller, mestre em Psicologia e Cultura pela Universidade de Brasília.

“Em pesquisa realizada com homens diagnosticados com depressão, eles se queixam da impossibilidade de exercer as performances esperadas.” Para Naiara, o sofrimento advém das cobranças sociais e da necessidade de provar ser macho tanto no trabalho como em casa.

A Resposta nas Crianças

A educação para novos valores da masculinidade com os meninos ainda jovens pode evitar conflitos internos e frustrações futuras. “É na infância que se começa a desmistificar estes valores absolutos”, sustenta Bianca Guizzo.

Windmöller, assim como Guizzo, aponta para o mesmo caminho: “o aprendizado de ser homem começa na infância, nos espaços sociais, nas famílias e na escola.”

Para a psicóloga, por anos os meninos foram estimulados à competição e desincentivados à expressar seus sentimentos e fragilidades. Esse par de valores tem sido sustentáculo dessa imagem do macho tradicional. Conceitos que já estão sendo revistos pelas novas gerações.

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Redação Anália

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