Marcelo Lujan: o palhaço e o amigo

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Por Fernanda Patrocínio

“Impossível falar de mim sem falar do meu palhaço”, entrega Marcelo Lujan, 40 anos, palhaço há 23 e um dos donos dos circos Zanni e Amarillo. Conversar com Lujan é também ter uma aula sobre as diferentes linguagens dentro da arte circense. O palhaço é facilmente reconhecido pelo seu cabelo grisalho penteado para cima e pelo olhar forte e emotivo que Lujan carrega.

As origens

Lujan nasceu em Río Cuarto, ao Sul de Córdoba, na Argentina. Na mesma cidade também nasceu o circo Amarillo, em 1997, uma parceria entre Marcelo Lujan e Pablo Nordio.

“Carrego uma bagagem de várias linguagens artísticas, gestada na minha cidade natal. Aos 17 anos, comecei a viajar para aprender mais sobre artes performáticas”, conta Lujan.

A aproximação com o universo circense se deu pelo contato com os malabares, arte que Lujan considera a “porta para o circo” em sua vida. A vontade de se apresentar para diferentes públicos e aprender mais fez com que a dupla do circo Amarillo viajasse pelo Brasil.

Em 2002, Lujan e Nordio chegaram a São Paulo para participarem de uma convenção de artistas de circo, organizada por Emiliano Pedro, do grupo Circodélico. E ficaram.

O começo do Circo Zanni

Os espetáculos do Amarillo contavam com música, acrobacias e malabarismos – tudo conduzido pelos dois palhaços argentinos. “Conhecemos muita gente nesta época, como o Domingos Montagner e o Fernando Sampaio, do grupo La Mínima”, pontua Lujan.

Lujan é direto quanto à importância do grupo La Mínima em sua vida. “Um dos motivos para eu ter ficado, me estabelecido e ter feito minha base em São Paulo foi o La Mínima”.

Os quatro palhaços excêntricos — Lujan, Nordio, Montagner e Sampaio; ou melhor, Pablo, Marcelino, Agenor e Padoca — montaram o circo Zanni, em 2004.

Marcelo Lujan é o responsável musical do circo e assinou com o ator Domingos Montagner a concepção e a direção artísticas. Pablo Nordio é o diretor técnico e Fernando Sampaio é o responsável administrativo.

Construindo um palhaço

Lujan mostrou à reportagem do Blog do Anália o passo a passo da caracterização de seu palhaço, Marcelino Pente Fino. Confira na galeria abaixo:

Irmãos de picadeiro

É impossível falar do circo Zanni sem falar de Domingos Montagner, palhaço, ator e parceiro criativo de Lujan, que faleceu vítima de afogamento em setembro de 2016.

A parceria entre o circo Amarillo e o grupo La Mínima aconteceu após muitas pessoas indicarem um grupo ao outro, sem eles se conhecessem. “Estava em Cariri (Ceará) quando me falaram sobre o La Mínima. Quando chegamos a São Paulo, pudemos ver os trabalhos uns dos outros e foi amor à primeira vista”, recorda.

A parceria entre os dois grupos foi intensa e durou 14 anos. Discutir, incentivar e criticar ideias novas e números executados faziam parte da rotina. Zanni segue com a alegria e as ideias do eterno palhaço Agenor.

Ser palhaço no Brasil

O palhaço interpretado por Marcelo se chama Marcelino Pente Fino. Ele é uma mescla de músico, equilibrista e ator. Multi-instrumentista, Marcelino cativa pelo olhar forte, humor inteligente e variadas linguagens em sua apresentação.

Lujan é esbelto, tem cerca de 1,65 m e seu personagem usa roupas tamanho GG. A maquiagem não tem exageros, mas o nariz vermelho e os olhos grandes estão lá juntamente com os cabelos ora desgrenhados ora arrepiados.

“A maquiagem é importante, pois seja uma plateia de cem pessoas seja de mil: elas  precisam ver as expressões que fazemos, pois fazem parte do espetáculo”, ensina.

Lujan acredita que no Brasil há mais capacidade de gestão com relação à cultura e às artes do que na Argentina. “São Paulo parece ser um país à parte. Há, por exemplo, muita lei de incentivo e edital para grupos de teatro. Isso faz os grupos evoluírem profissional, artística e humanamente. O artista em São Paulo parece ter mais ambição.”

“Quando você se apresenta na rua ou em certos lugares, muitas vezes, nem água ou alimentação são disponibilizadas aos artistas que, normalmente, enfrentam jornadas de trabalho de até dez horas diárias. Alguns pensam que basta pagar e nem se dão conta da necessidade de cuidados básicos para manter o artista ali, em pé trabalhando”, comenta ele.

“Isso não é frescura, é relação humana – é valorizar o trabalho humano.”

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Sobre o autor

Redação Anália

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