Esqueça a ideia de grandes metrópoles globalizadas. Madri pode ser uma cidade-comunidade bastante moderna, mas é também uma jornada ao coração da cultura espanhola. Em dezembro de 2016, resolvi visitar minha mãe que mora lá há quase 10 anos, e o que era para ser um passeio de um mês se transformou em três. Logo nos primeiros passos, entendi o que significava a tal da “espanholização” das coisas, quando perguntei, com sotaque americano, em vários estabelecimentos do aeroporto se havia WiFi local. Até que alguém me entendeu e respondeu dizendo que sim, explicando que aqui eles pronunciam “ui-fi” ao invés de “uai-fai”. Dali para frente, todos os fatos só viriam para confirmar o meu primeiro pensamento: não há como pisar devagarzinho em terras espanholas. Do sotaque aos costumes, a cultura local está escancarada em todos os detalhes.

Depois de um dia de passeios pelos museus da cidade, encontrei um amigo nos arredores do Rio Manzanares, onde está a Ponte de Toledo, no centro da cidade. Fizemos um piquenique em um parque com aproximadamente 92 quilômetros de extensão que acompanha o rio. Além dos espaços verdes, o parque conta com balanços, escorregadores altos e fechados que mais parecem tobogãs, entre outros atrativos para crianças crescidas como eu, e, claro, para as famílias. Continuando a trajetória pelo Manzanares, caminhando no sentido do bairro Iegazpi, chegamos ao Matadero, local onde acontecem além de exposições culturais, cursos e festas.

O rio de Manzanares, antes chamado de Al Majrit pelos mouros, deu origem ao nome da cidade, cujo significado é “fonte de água”. Isto porque por volta do século IX, Madri era uma fortaleza muçulmana e o entorno do rio era utilizado para a defesa deste povo, o que fez do caminho fluvial um ponto bastante importante na história da capital.

Nos dois dias seguintes, vi de perto o impactante quadro de Picasso, o Guernica, que retrata a guerra civil da Espanha em 1937, as psicodélicas e simbólicas obras de Dalí, a arte de Diego Rivera, de Miró, entre outras importantes criações no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía. Saí dali tendo a certeza de que precisava ver mais obras de Picasso e Dalí, por isso segui o trajeto artístico pelo Museo Thyssen-Bornemisza, onde é possível conferir mais das suas criações. Na vizinhança, visitei o aclamado Museo del Prado, agraciado com obras tradicionalíssimas de Goya, Diego Velázquez, Joaquín Sorolla, entre outras referências.

A céu aberto

Na mesma semana, visitei também os parques mais recomendados da cidade, passando pelo Parque del Retiro, que conta com estátuas históricas como o Anjo Caído e a Fonte da Vida e da Morte. – Outra visita obrigatória para quem chega em Madri são os Jardines del Campo del Moro, situado entre o rio Manzanares e o Palácio Real. Neste jardim, conheci o animal mais charmoso da cidade: o pavão real.

Há, ainda, a enorme Casa de Campo, um local dominado pelos gatos callejeros ou “de rua”, em português, a vista incrível do Parque de las tetas de Vallecas e o Templo de Debod, um dos meus locais favoritos para ver o sol se pôr.

Sabores espanhóis

Aproveitando a enorme oferta de boas chocolatarias na região, parei para comer o doce mais conhecido de Madri: chocolate com churros! Provei também as porras, outro tipo de doce bastante parecido com churros – elas levam mais água e uma pitada de bicarbonato de sódio na massa.

Também descobri dois hábitos curiosos e deliciosos  dos espanhóis. O primeiro é o vício de comer absolutamente tudo com pão. O segundo é a oferta de uma porção de tapas acompanhada com uma bebida. Observei essas manias tanto no bar El Tigre, um bar típico espanhol, no bairro de Chueca, quanto no Cervecería Restaurante Quevedo, que fica no bairro de Las Letras, entre outras opções na movimentada região de Malasaña.

Dizem, que este hábito de pedir cañas e tapas se deu no século XIII, porque o rei Alfonso X obrigava os estabelecimentos a servirem sempre um pouco de comida junto ao vinho, para evitar que as pessoas ficassem muito bêbadas. Se isso for verdade, tenho que dizer: muchísimas gracias, Alfonso!

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