Quando recebi a incumbência de escrever este artigo assomou, viva e clara, a imagem de uma das minhas primeiras intervenções como consultor de sustentabilidade. Já se vão 17 anos.

Antiga responsabilidade social

À época, o termo utilizado para designar a atividade era responsabilidade social. E os líderes de empresas não faziam nenhuma questão de esconder que achavam o tema um assunto menor e sem qualquer conexão com os negócios.

Um deles, presidente de uma corporação multinacional, interrompeu uma palestra que eu ministrava para a alta diretoria e me propôs, um tanto irritado, o que ele definiu como um desafio: “Convença-me de que isso faz bem para o meu negócio ou não temos por que seguir a conversa!”

A era dos “porquês” e dos “comos”

No início dos anos 2000, ainda se gastava muita energia para explicar os porquês. Líderes precisavam ser convencidos. Hoje, vive-se a era dos “comos”. A maioria das empresas sérias já compreendem – embora nem sempre consiga medir precisamente – boa parte dos ganhos decorrentes da sustentabilidade.

Ganho de consciência

O que mudou em pouco mais de uma década? Cresceu a consciência de que o quadro de esgotamento de recursos naturais e de aquecimento global afetam a perenidade dos negócios. Mas mudou também, mesmo que de modo não uniforme, a noção que tratava sustentabilidade como um pedágio contra riscos – emergindo, em seu lugar, uma outra com base na ideia de que o conceito representa um vetor de oportunidades.

A pesquisa divulgada pelo Boston Consulting Group, junto com a MIT Sloan Management Review, confirma essa nova mentalidade. Cerca de 40% dos 2,6 mil executivos entrevistados admitem que a sustentabilidade melhora a reputação da marca e 29% que ela influência a inovação de produtos.

Ainda segundo o estudo, denominado The Innovation Bottom Line, para 26% dos gestores o conceito favorece a percepção de boa gestão; para 22% reduz custos de energia; e ainda para 22% aumenta a competitividade. 

Afinal, os relatórios de sustentabilidade estão aí para ratificar o que, há muito, já se sabe. Itens como redução do uso de energia, insumos e materiais apresentam resultados tangíveis para o caixa. E embora não se disponha de estudos conclusivos sobre reputação, atração e retenção de talentos, profissionais de Comunicação e Recursos Humanos não têm dúvidas de que empresas preocupadas com sustentabilidade são mais bem vistas pela sociedade, pelos jovens profissionais e pelos colaboradores, entre outras razões, porque são percebidas como mais conectadas, sólidas e prósperas.

Tal mudança na direção de um modelo mais sustentável implica, para alguns segmentos, custos iniciais com equipamentos e novas tecnologias. Serão mais competitivas, no entanto, as empresas que tratarem esses custos como investimento em inovação e não despesas operacionais.

*Ricardo Voltolini é diretor-presidente da consultoria de sustentabilidade empresarial Ideia Sustentável.

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