Não teve filhos, mas foi uma grande Mãe. É assim que Anália Franco é descrita na obra de Adalzira Bittencourt “A Mulher Paulista na História”, de 1954. Além de uma sábia educadora, foi jornalista, romancista, poetisa, contista, teatróloga e conferencista. O shopping, e o bairro em que se encontra, levam seu nome de solteira, Anália Emília Franco. Nascida em 1º de fevereiro de 1853 a professora é natural de Rezende, Rio de Janeiro.

Apenas aos 16 anos se formou como Normalista ganhando a habilitação para dar aulas no ensino primário. Na época se instaurava a Lei do Ventre Livre, 1871, fazendo com que a jovem deixasse sua vida na Capital para amparar as crianças filhas de escravas no interior do estado. Assim descobriu sua vocação e começou sua missão para auxiliar mulheres e crianças até o fim de sua vida.

Suas primeiras escolas

Foi no norte do Estado de São Paulo, em São Carlos, que apesar de muitas adversidades Anália fundou sua primeira escola primária. No colégio, chamado Santa Cecília, a professora recebia crianças que batiam à sua porta ou eram encontradas pelas ruas da cidade, muitas vezes deixadas por parentes.

Fundando a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva em 1901, Anália Franco acabou disseminando por todo o estado aproximadamente 110 creches, escolas maternais, asilos, liceus femininos, escolas para analfabetos, uma colônia regeneradora e até uma banda e orquestra feminina.

Tudo isso era dividido em aproximadamente 24 estados do país, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Ainda assim, a maioria das instituições se concentravam em São Paulo. Em suas instituições, Anália prezava principalmente pela educação moral, e para ela, era possível regenerar uma grande parte da sociedade por meio das classes desvalidas.

O Jornalismo de Anália

Sua preocupação com as crianças a levou a criar mais de uma publicação no decorrer dos anos. Em abril de 1898 criou a revista literária e educativa chamada “Álbum das Meninas”. Mais tarde, em 1903, produziria a publicação “A Voz Maternal”, uma revista distribuída mensalmente com uma tiragem, expressiva para a época, de 6 mil exemplares que circulou por quinze anos.

Nas publicações, Anália se voltava para as mulheres, a fim de despertar o interesse pelas questões sociais e problemas da alfabetização infantil. Em março do mesmo ano foi publicada a primeira edição da “Revista da Associação Feminina”, publicação literária e educativa fundada e dirigida por Anália Franco.

Os romances de Anália

A produção literária de Anália produziu três romances: “A Égide Materna”, “A Filha do Artista”, e “A Filha Adotiva”. No aspecto cultural, a professora e autora também produziu peças teatrais, diálogos e poesias, sendo possível destacar a obra “Hino a Deus”, “Hino a Ana Nery”, “Minha Terra” entre outros.

Anália construiu uma parte importante da história da educação no Brasil e sempre defendeu o espaço das mulheres na sociedade. Durante sua vida, dedicou seus estudos e projetos pessoais sempre a fim de abrigar, proteger assim como educar crianças e mulheres em situações de vulnerabilidade social.

Aos 66 anos de idade, a professora foi vítima da epidemia de gripe espanhola. Faleceu em 20 de janeiro de 1919 deixando em seu legado a criação de mais de setenta escolas e lares institucionais para crianças órfãs.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Escreva seu comentário
Insira seu nome