Quem nunca leu as histórias da Turma da Mônica na infância – ou mesmo continua lendo agora na vida adulta? A personagem criada pelo cartunista Maurício de Sousa, em 1963, foi inspirada em sua filha Mônica Spada e Sousa. Hoje, Mônica tem 57 anos e é diretora executiva na parte comercial da Mauricio de Sousa Produções (MSP). A infância, as novas tecnologias e memes da Turma da Mônica são alguns dos pontos da conversa que a revista Anália teve com Mônica Sousa.

ANÁLIA – Você costuma ser rápida e bem-humorada nas redes sociais. Como é para você esse tipo de interação? E como a linguagem jovem e de internet influencia o seu trabalho?

MS – Eu contratei só pessoas jovens para trabalhar nessa área na MSP. Ela é comandada pelo meu filho, o Marcos, que, assim como a equipe, já tem essa linguagem, pois nasceram com ela. E eles foram me ensinando como falar, agir, quantos posts fazer – porque a gente que desconhece não tem noção nenhuma dessa área. A gente pensa que quanto mais falar é melhor, porém não é assim. Então, fui aprendendo e, hoje em dia, eu me considero até uma pessoa que anda bem nessa trajetória. Para mim, a rede mais fácil para interagir foi o Facebook. Agora eu tenho entrado bastante também no Instagram.

O YouTube também é fundamental para a MSP. É nele que veiculamos a nossa Monica Toy, um desenho que, hoje, tem o maior índice de views e levou a Mauricio de Sousa Produções para outros lugares do mundo também. Como se trata de um toy art e não tem diálogo, pessoas do mundo todo podem assistir ao Monica Toy – e o feedback tem sido positivo. O Toy foi feito com muito carinho, bem fechado e demoramos dois anos para lançá-lo. O episódio 1 da temporada 1 de Monica Toy é de 28 de abril de 2014, no YT. Ele fez parte das comemorações do Mônica 50 anos, em 2013. Na última contagem que tive acesso, Monica Toy tinha mais de 8 bilhões de visualizações.

ANÁLIA – A Turma da Mônica Jovem e o Chico Bento Moço, por exemplo, têm diálogos bem próximos com os jovens de hoje. Como se deu este novo nicho e esta reinvenção dos personagens?

MS – Esse foi um projeto do próprio Mauricio de Sousa, que sentia necessidade de falar com este público jovem. Porque ele estava percebendo que a criança estava deixando de ler revistas infantis mais cedo, afinal, a infância deu uma encolhida. Então, o Maurício queria falar com essa criança e com este pré-adolescente. E isso foi possível por intermédio da Turma da Mônica Jovem e do Chico Bento Moço, que também são produtos de sucesso.

ANÁLIA – A Turma da Mônica costumeiramente tem suas histórias resgatadas em rede sociais. Como você vê esta questão da nostalgia?

MS – Eu adoro. A gente volta à infância, um período gostoso da nossa vida. Então, eu adoro cada vez que aparece alguma coisa antiga e, de alguma maneira, eu lembro também que fez parte da minha vida. Tem até produtos da marca Maurício de Sousa que, de vez em quando, são resgatados nas redes sociais, algumas coisas que as pessoas sentem falta ou sentem saudades. Eu gosto muito disso.

ANÁLIAComo é crescer sabendo que em lares de todo o país há crianças e adultos que têm como referência da infância a Mônica criada pelo Maurício?

MS – É uma responsabilidade grande, pois, de alguma maneira, fiz parte da infância de crianças de várias gerações. Mas o papel fundamental de tudo isso foi do Maurício de Sousa, que fez também com que as histórias em quadrinhos fossem uma cartilha informal. Passa para a criança uma aprendizagem, uma alfabetização. Então, fico com muito orgulho dele por ter feito isso e ter tido, na época, a sensibilidade de colocar as personagens femininas com o poder que elas têm.

ANÁLIA – Qual mensagem a Mônica Sousa (a mulher) gostaria de deixar para estas várias de crianças e adultos que ainda hoje leem Turma da Mônica?

MS – Acho que o importante é conservar a infância. Aos papais e mamães: respeitem a infância, a brincadeira, o lúdico. Isso é importante e fundamental para o desenvolvimento da criança e fará com que ela seja um adulto mais realizado e feliz.

O nosso objetivo é sempre que a criança tenha o espaço dela para brincar, para ela poder ser ela mesma, para poder criar, imaginar, fazer as suas brincadeiras do jeito que ela quiser.

Claro que, hoje em dia, estamos com muito medo das crianças na rua, em virtude da violência, mas que os papais e as mamães tentem ainda ter espaço com os pequenos. Pode ser um parque, pode ser a sua casa.

A gente tem feito este trabalho internamente na MSP até no departamento comercial, sempre engajando alguns concessionários e fabricantes a fazerem a criança aprender a brincar com a família e incentivar a família a brincar com seus filhos.

 

 

* Por Fernanda Patrocinio

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