Elizabeth (mas pode chamá-la de Beth), José Luiz e Luiz Juliano. O trio forma a família De Vita Pettená, que traz um traço cada vez mais comum nas famílias: a longevidade e a opção pela maternidade tardia. Aqui incluímos a paternidade tardia também. “Quando engravidei, meu marido ficou muito preocupado e pensou que seria um pai velho”, conta. José Luiz tinha 46 anos, na época e Beth 37, hoje com 67 anos e o marido 74. O único filho do casal, Juliano, possui 29.

E engana-se quem pensa que o choque de gerações é um fator negativo. No caso de Juliano, a sabedoria e a vivência dos pais foram aliadas para seu crescimento. “Acredito que foi benéfico ter crescido com pais mais maduros e experientes. Eles conseguiram me dar visões diferentes sobre as situações as quais eu pedia conselhos ou sobre aquilo que eles já tinham passado”, comenta ele.

Uma nova tendência

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia a e Estatística (IBGE), em 2016, a expectativa de vida do brasileiro era de 75,8 anos. Contudo, é comum nos depararmos com parentes e amigos quase centenários. A longevidade hoje está associada à qualidade de vida e ao bem-estar. E o perfil das famílias também está envelhecendo.

A tendência nos centros urbanos é esperar mais para ter filhos e, quando os filhos decidirem ter filhos, seus pais já serão avós mais velhinhos que os de antigamente. Dessa forma, cada vez mais, os brasileiros precisarão ressignificar o envelhecimento.

Novos tempos

Com o passar das décadas, percebe-se que o brasileiro não só está tendo os lhos tardia- mente, como também o número de lhos tem diminuído. Segundo levantamento do Minis- tério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em 2003, a média era de 1,78 filho por família brasileira. Em 2013, este número passou a ser 1,59 filho por família.

A redução no número de filhos possibilita aos pais oferecer melhores condições de vida, devido a questões econômicas. A economia, aliás, é um dos motivos no qual as famílias têm reduzido o número de filhos. Afinal, o custo para ter um filho é alto, indo além da disposição financeira.

Construção social
Natalia Negretti é antropóloga e doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ela, “o envelhecimento, explicado em termos demográficos, constantemente é relacionado ao crescimento da expectativa de vida e a uma queda da taxa de natalidade populacional”. Ao mesmo tempo, a médica informa e legitima historicamente uma ‘idade ideal para a maternidade’”. E completa: “esses discursos revelam, mesmo que ancorados a justificativas biológicas, a preocupação maior com os valores esperados de uma ‘boa mãe’, com corpo ideal – que não seja enquadrado no termo ‘maternidade tardia’. O mesmo não ocorre de maneira tão incisiva com a paternidade”.

A escolha pela maternidade tardia

A Dra Anita Tarasiewicz, psicoterapeuta de família e casal, tem mais de 40 anos de profissão. Segundo ela, “muitas mulheres escolhem ter filhos mais tarde para investir em sua carreira e buscar independência”. O enfoque de muitas mulheres na realização profissional, buscando autonomia e carreiras estabelecidas, muitas vezes, contribui para que os filhos venham tardiamente – ou, em alguns casos, não venham.

A mesma lógica é válida aos homens. “A maior vantagem é a estabilidade emocional e financeira, com carreira estabilizada. Pais mais maduros podem se libertar de padrões sociais e culturais pré-estabelecidos”, explica a psicoterapeuta. “Ter filhos aos 40 ou 50 anos também pode significar renovação, um sopro de frescor na vida destes pais.”

Existem desvantagens?

As desvantagens podem estar em potenciais problemas de saúde materna na gestação ou mutações genéticas da parte paterna e mesmo pais demasiadamente tolerantes, que agem como avós dos próprios lhos”, completa.

Beth garante que tanto ela quanto o marido têm uma ótima saúde. “Adoramos viajar. Meu marido gosta muito de fazer caminhadas; ele é hipertenso, mas toma remédio e é bastan- te disciplinado. Minha pressão é normal e faço academia como remédio – acho chato, mas sei que é necessário”, conta a esteticista.

Ligada também ao bem-estar, Beth reconhece-se como uma mulher vaidosa. “Me cuido bastante, não engordo e tomo cuidado. Nossa alimentação é saudável e sou eu mesma quem cozinho. Fazemos o possível para envelher bem”, ensina. Hoje, Beth dedica-se ao lar da família e José Luiz, apesar de aposentado, ainda trabalha como engenheiro. Super ativos!

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