O letreiro mais famoso da cidade significa, em inglês, ‘Eu Sou Amsterdã’, aproveitando o fato de que I Am (eu sou) acaba da mesma maneira que começa a palavra Amsterdam, em neerlandês. A escolha do inglês para protagonizar um dos cartões postais reflete muito bem a mentalidade cosmopolita da cidade.

Um passeio pela arte Holandesa

Indo para a Praça dos Museus, por museu enorme, o Rijksmuseum. O edifício está em cima de uma espécie de túnel onde os músicos de rua aproveitam para espalhar seus sons. Sua arquitetura, criada por Pierre Cuypers, mistura referências góticas e renascentistas de maneira pouco usual se comparada com a arquitetura de referência no país.

Ali, além de obras dos principais artistas holandeses como Rembrandt e Johannes Vermeer, fui surpreendida por esculturas asiáticas de Shiva e Buddha.

Apesar do preço salgado (€17,50 para adultos acima de 18 anos), a excentricidade e diversidade de coleções presentes no museu, vale a visita. Trata-se de um dos espaços tradicionais mais multiculturais da cidade.

O Rijksmuseum está na Museumplein, cerca de 3km da estação Amsterdam Central, e está aberto todos os dias das 09h às 17h. Para entender melhor o acervo, você também pode baixar um audioguia do aplicativo do museu, que é gratuito.

Outro museu que vale a visita é o Van Gogh Museum, de mesmo preço e localização bastante próxima ao Rijksmuseum. As obras do pintor mais popular do país possuem uma estética exagerada e sofrida, considerada pelos especialistas como pós-impressionista com traços modernistas. O Van Gogh Museum funciona todos os dias das 09h às 18h, tendo o horário estendido na sexta-feira até às 22h.

Memória

Visitei outro ponto de importância cultural muito grande em Amsterdã: a Casa de Anne Frank, ou o “Anexo Secreto”, como ela o descrevia em seu diário.

Desde o século XVII, Amsterdã já era reconhecida pelo espírito inovador e pela tolerância religiosa e cultural do seu povo, comparada à mentalidade da época. Esta cultura atraiu não só a família de Anne Frank como também outros judeus que fugiam da Alemanha nazista.

A Casa de Anne Frank abriga frases do seu diário, fotos e, mais importante, mantém a estrutura claustrofóbica do local tal como ele era naquele tempo. A visita nos expõe a uma parcela do que foi o holocausto e ao sentimento de um fugitivo e perseguido. Não é um passeio agradável, está claro, porém muito esclarecedor.

A Casa Anne Frank está situada no canal Prinsengracht, cerca de 15 minutos da estação central. O preço do ingresso é de 9 euros e o horário de funcionamento varia das 9h às 19h ou 22h.

 

Para maiores

Cheguei no meio da semana a um dos pontos mais famosos de Amsterdã: o Bairro da Luz Vermelha, ou De Wallen. A prostituição na Holanda é legalizada, e lá é o local onde ela se concentra. Para tornar o local mais chamativo, as garotas e os garotos se exibem em verdadeiras vitrines pelas ruas. Por lá, a atividade é devidamente registrada e organizada. E lembre-se: é expressamente proibido tirar fotos ou fazer vídeos de alguém que esteja trabalhando ou se exibindo nas vitrines.

A lei para regular a prostituição no país entrou em vigor em 2000. Desde sua elaboração, seu principal objetivo é impedir casos de abuso sexual e prostituição forçada em território holandês. Outra meta era a de conter o turismo sexual em Amsterdã a apenas um espaço circunscrito.

Mas o bairro não concentra, apenas, a prostituição. Algumas outras particularidades da região o torna um dos locais mais icônicos da cidade. Por exemplo, é lá que está um dos mais famosos coffeshops do mundo: The Greenhouse.

Pode ser surpresa saber que, apesar do consumo de maconha ser tolerado no país, seu uso ainda é, tecnicamente, ilegal. Existe um regulamento que o limita somente aos espaços fechados dos coffeeshops, e não em outros lugares.

Dentre os muitos coffeshops da cidade, The Greenhouse é frequentemente o vencedor da Copa Cannabis, uma tradicional competição nacional entre produtores de maconha. A Copa do Mundo da Maconha foi criada em 1987, por Steve Hager, ativista pela legalização da droga.

Também no distrito da Luz Vermelha está a Reguliersdwarsstraat, conhecida como a rua gay da cidade. A rua possui uma importância histórica e permite, hoje, uma maior concentração de bares e atrações voltadas ao público LGBT.

Sejam bem-vindos

Há uma razão histórica por trás da cabeça liberal dos holandeses e da boa receptividade para diferentes culturas. Durante o século XVII, considerado o século de ouro de Amsterdã, a cidade sediou o principal porto da Europa, tornando-se a capital comercial do continente. A Companhia Holandesa das Índias Orientais estabelecia comércio com gente dos quatro cantos do mundo e, por isso, a cidade habituou-se a receber diversos povos e suas culturas.

Por esse motivo, saí de Amsterdã apaixonada por sua abertura cultural, seus costumes inovadores e disruptivos. O que tenho certeza é que também me sinto parte daquele grande “I Amsterdam”! A próxima visita já está sendo planejada.

* Por Camilla Cardoso

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