Primeiro, precisamos entender o que chamamos de “birra”.

Este é um nome para uma série de comportamentos diferentes com a mesma função: dominar a situação. A criança emite estes comportamentos, geralmente, diante de frustrações e como eles pretendem controlar e ter sucesso com determinado cenário.

Em outras palavras, elas estão tentando conseguir o que querem. Aos pais, cabe ensinar comportamentos alternativos para que as crianças saibam lidar com suas frustrações.

Parece fácil, não é? Mas na prática as coisas podem não seguir o planejado.

Cuidado com as palavras

Precisamos deixar claro para elas que a birra não é um comportamento aceitável. Mas nós devemos saber que, muitas vezes, as crianças não mudam sozinhas.

Frases como “Você já é bem grandinho pra fazer isso”; “Veja só seu irmão como é obediente”; “Você precisa aprender a se comportar”; “Que coisa feia”, entre outras, pouco ensinam e nos desgastam muito.

Uma estratégia bastante eficaz são os combinados: “Se fizer isso, então poderá fazer aquilo”, em vez de dizer: “Se não fizer, não terá”.

O Combinado não sai caro

Outro combinado eficaz é conversar com a criança antes de sair de casa sobre o que irá ocorrer. Por exemplo: “Nós iremos ao mercado e você poderá escolher apenas uma coisa para comprarmos.”

Se a criança pedir por duas ou mais coisas, abaixe até ficar na direção dela, relembre o combinado (levar apenas uma coisa) e ajude-a escolhendo o que levar.

Caso a birra comece, diga a ela que assim, você não entende o que ela diz e que, quando se acalmar, vocês poderão conversar novamente.

Ao final das compras, cumpra sua parte do combinado, levando apenas um item.

Caso você ceda, a criança aprende que a birra funciona e que suas regras são inconsistentes, ou seja, que ela consegue quebrá-las se insistir. E aí, a birra se instala e se torna mais resistente a desaparecer.

Na rua é mais difícil

Lidar com a birra em lugares públicos é um grande desafio. Afinal, existe maior probabilidade de cedermos nestes ambientes a fim de evitarmos os olhares e a vergonha pela situação.

O grande segredo, porém, seja em casa, seja na rua, é não dar atenção a estes comportamentos e elogiar quando a criança agir de modo mais aceitável. Desta forma, ensinamos com quais comportamentos ela terá sucesso e com quais não terá.

Isso não significa que você deixará seu filho se esgoelando no meio da loja e sairá andando pelo shopping. Você ficará ali, esperando que ele se acalme para, então, conversarem.

É preciso ter muito cuidado com o “toma pra você ficar quieto”. Isso é o suficiente para a criança aprender o que deve fazer para conseguir o que quer. Portanto, lidar com a vergonha e com os olhares das pessoas, faz parte do processo.

Alguns casos podem precisar de uma atenção maior e procurar pela ajuda de um psicólogo se torna fundamental. O mais importante é nunca esquecer de que a educação positiva só é possível com muito amor, dedicação e paciência.

 

 

Karina Carpi é terapeuta comportamental infantil e colaboradora do Instagram @tips.for.moms.

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