A discussão sobre como definir o Samba Rock, o estilo musical que mescla o samba de gafieira com alguns elementos do jazz pós-bebop e rock, é longa. Algumas pessoas definem o estilo como um samba produzido com instrumentos elétricos. E embora muitos não conheçam o gênero musical pelo nome, sem dúvida já ouviram alguns clássicos da música brasileira sem saber que pertenciam ao gênero.

Nascido nas periferias das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, o Samba Rock é um movimento que surge na cultura negra. Apesar do ritmo estourar apenas nos anos 70, foi no ano de 1959 a sua primeira menção com a canção Chiclete com Banana de Jackson do Pandeiro a seguinte passagem  “Eu só boto bebop no meu samba quando Tio Sam tocar um tamborim”. Foi com esse trecho que o cantor e compositor Zé Eduardo nos apresentou a música.

O surgimento do movimento

Fundador da banda Sambasoul Esporte Clube, Zé nos contou que esse surgimento foi em meio aos anos 60 e 70, quando a periferia começou a dançar Rockabilly, “em um estilo samba rock, surgiu Ray Charles, e logo na sequência vem Jorge Ben com um hit que possuía uma bateria de samba e a levada do rock, e foi ali que começou a surgir um novo gênero”.

Carioca de Madureira, Jorge Ben é um dos principais nomes do Samba Rock no Brasil. Em sua extensa lista de sucessos, País Tropical, Chove Chuva e Mas Que Nada embalaram muitas festas e influenciaram grandes músicos como Seu Jorge. Foi em 1963, quando gravou seu álbum de estreia Samba Esquema Novo, que Jorge Ben trouxe pela primeira vez a mistura de estilos e, embora com a forte presença de bossa nova em suas canções, ali surgem os primeiros hits do Samba Rock.

Muito além do samba

O compositor explica que o estilo é único, “Não é apenas samba, é samba rock, é diferente, tem um suingue diferente, é uma coisa deliciosa. Não se consegue ficar com o pé parado, no mínimo, você baterá o pé no ritmo da batida”, conta com humor.

Samba Rock pelo Mundo

Foi com o Trio Mocotó que o estilo brasileiríssimo ganhou outros continentes. Composto por Fritz Escovão na cuíca, Jorge Ben no violão, Nereu Gargalo no pandeiro e João Parahyba na bateria, foi formado em 1968 na Boate Jogral, onde dois dos integrantes trabalhavam.

 

A importância cultural do movimento

Para Zé Eduardo, a maior importância cultural foi dentro do movimento negro, além disso “é a cultura de dança de dois, de par. Nos anos 50, já existia o samba de gafieira, mas o samba rock traz uma coisa diferente, tem gente que dança com duas mulheres ou três, é bem interessante de ver”, conta.

O músico ainda conta que em meio aos anos de ouro do gênero, surgiram bailes que ganharam grandes proporções. O Rio de Janeiro contava com o baile Furacão 2000 e em São Paulo o Chic Show. Zé Eduardo relembra que o Ginásio do Palmeiras foi um grande palco para o movimento, com shows de Tim Maia e Jorge Ben, os quais reuniam até 80 mil pessoas.

Clube do Balanço

Após um hiato, o movimento ressurge com o grupo Clube do Balanço nos anos 2000, o qual está na ativa até os dias de hoje.

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