Por Bianca Castanho

A adoção, dentre os muitos métodos, continua sendo uma opção para constituir ou aumentar uma família. O Cadastro Nacional de Adoção (CNA) estima que cerca de 1.226 crianças foram adotadas no ano de 2016.

Entretanto, pouco mais de 7 mil ainda aguardam na fila na esperança de um dia ter uma família para chamar de sua.  O tempo passa, crianças viram adolescentes, tornando as chances de adoção ainda menores.

É por isso que uma das alternativas para esses jovens é o apadrinhamento afetivo.

Em termos simples, apadrinhamento afetivo é quando uma pessoa ou família se dispõe a acolher crianças e jovens de abrigos em seu dia a dia de amor.

Um padrinho ou uma madrinha pode se envolver em atividades de seu afilhado e, atendendo aos procedimentos legais, até levá-lo para passear, passar fins de semana e feriados juntos ou viajar durante as férias.

No final de 2016, Ana Maria Mendes Barbosa, 59, e o marido, Washington Barbosa, 62, resolveram participar do processo de apadrinhamento afetivo. “É uma troca, a gente só ganha. Nós somos tão beneficiados quanto à criança”, conta  Ana.

Ativo em algumas regiões do Brasil, a prática ganhou força em São Paulo no ano de 2016. Na época, o Foro Regional de Santo Amaro abriu inscrições para padrinhos interessados. Aliás, foi lá que Ana procurou saber como participar.

“Vi uma matéria na TV sobre isso e fiquei interessada. Eu sempre quis adotar uma criança, mas cuidei de minha mãe por muitos anos e o tempo passou”, explica a  mãe de dois homens já casados.

Com essa vontade em mente, ela começou o processo e, em alguns meses, foi chamada para apadrinhar. Todos os possíveis padrinhos fazem um curso com psicólogos, advogados e ouvem depoimentos para entender a importância dessa atitude.

“A adoção é muito difícil para crianças com mais de 10 anos. Todo mundo quer aquele estereótipo da criança novinha. A proposta do apadrinhamento é que a criança mais velha também tenha essa referência de amor, de família”, explica.

Álbum de Família

Ana Maria Mendes, mãe de Felipe (32) e Murilo (30) divide com o Blog do Anália algumas das recordações de sua família. Sua casa está mais cheia de vida com a chegada de seu apadrinhado, Aílton, de 12 anos.

Depois de toda a parte burocrática, vem o momento que dá mais frio na barriga: conhecer os possíveis afilhados.

“Eu lembro que a gente foi para um abrigo em uma festinha e falaram que as crianças de camiseta branca poderiam ser apadrinhadas. Eu fui apreensiva por não saber o que esperar e voltei angustiada.  Porque eu teria que fazer uma escolha, e eles sabiam que eu faria”, ela comenta. E foi deste momento que veio o Aílton, 12 anos.

Dentre as atividades que são feitas com a criança, o indicado aos padrinhos é manter a rotina da família e incluir o afilhado dentro dela. Isso não foi nenhum problema para Ana.

“Nós saímos algumas vezes para nos conhecermos, depois ele já veio passar o natal com a gente. Ficou 15 dias, depois mais uma semana”, relembra Ana “É uma delícia! Ele alegra, muda o clima, fazendo com que a gente acabe redescobrindo algumas coisas que ficaram para trás.”

Para a família de Ana, foi um processo muito natural: Aílton já chama o pai da revisora de avô. “Todo mundo adotou o Aílton como parte da família – ele tem tios, tias. Fizemos uma festa de aniversário para ele no carnaval.”

Qualquer pessoa pode ser um padrinho. Não precisa ser casado, não tem limite de idade e nem restrições.

É um ato de carinho, uma maneira de espalhar o amor e mostrar para esses jovens que é possível, sim, encontrar a felicidade.

Ana e o esposo dão uma dica fundamental para quem quer apadrinhar: “É o amor sem cobranças. Mas precisa ter disposição. E muita! (risos).”

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